DRA. SARA CRISÓSTOMO — OFTALMOLOGIA, CIRURGIA REFRATIVA E CÓRNEA

Cirurgia da Miopia
em Lisboa

Informação clínica sobre cirurgia refrativa para correção da miopia — técnicas disponíveis, avaliação de elegibilidade e o que esperar antes e depois da cirurgia.

1. O que é a cirurgia da miopia?

A cirurgia da miopia é um procedimento refrativo que tem como objetivo reduzir ou eliminar a dependência de óculos ou lentes de contacto em pessoas com miopia. A miopia ocorre quando o globo ocular é demasiado longo ou quando a córnea tem demasiada curvatura, fazendo com que os raios luminosos se foquem à frente da retina, em vez de sobre ela. As técnicas mais comuns utilizam laser excimer para remodelar a córnea ou lentes intra-oculares para corrigir o erro refrativo.

2. Quem pode ser candidato a cirurgia refrativa?

A elegibilidade para a cirurgia é determinada por uma avaliação oftalmológica completa. Em geral, os critérios habitualmente avaliados incluem:

  • Idade superior a 18 anos, com prescrição estável há pelo menos um ano
  • Espessura corneana suficiente para o tratamento pretendido, no caso do laser
  • Ausência de certas patologias corneanas ou oculares
  • Ausência de síndrome de olho seco grave não controlado
  • Expectativas em relação ao resultado

A avaliação individual é indispensável — não existe uma regra universal que determine a elegibilidade sem avaliação clínica.

3. Que exames são necessários antes da cirurgia?

A avaliação pré-operatória inclui, habitualmente:

  • Topografia e tomografia corneana — avaliação da curvatura e regularidade da córnea
  • Pachimetria — medição da espessura corneana
  • Aberrometria — mapeamento das aberrações óticas do olho
  • Refração precisa — determinação exata da prescrição
  • Avaliação do segmento anterior e posterior

4. LASIK

O LASIK (Laser-Assisted In Situ Keratomileusis) é uma técnica em que é criado um fino flap corneano, sob o qual é aplicado o laser para remodelar o estroma. O flap é depois reposicionado. A recuperação visual é habitualmente rápida — muitos doentes referem melhoria significativa nas primeiras 24 a 48 horas. É uma das técnicas de cirurgia refrativa mais realizadas no mundo.

5. PRK

No PRK (Photorefractive Keratectomy), o laser é aplicado diretamente na superfície da córnea, após remoção do epitélio. Não é criado qualquer flap. É uma alternativa considerada em doentes com córneas mais finas, com certas irregularidades corneanas ou que pratiquem atividades com risco de traumatismo ocular. A recuperação visual é mais gradual do que no LASIK.

6. Lentes intraoculares fáquicas e pseudofáquicas

As lentes intraoculares podem constituir uma alternativa à cirurgia corneana a laser em determinados doentes. As lentes fáquicas, como as lentes ICL (Implantable Collamer Lens), são implantadas no interior do olho mantendo o cristalino natural, podendo ser consideradas em alguns casos de miopia elevada ou quando as características da córnea não são favoráveis à cirurgia laser.

As lentes pseudofáquicas são utilizadas quando o cristalino natural é substituído por uma lente intraocular, como acontece na cirurgia de troca refrativa do cristalino. A escolha entre estas opções depende da idade, do erro refrativo, da anatomia ocular, das características da córnea e do cristalino e dos restantes dados obtidos na avaliação oftalmológica.

7. Como é feita a avaliação?

A avaliação de candidatura é realizada em consulta presencial. Inclui a realização dos exames complementares necessários, a análise dos resultados e uma discussão detalhada sobre as opções disponíveis, os benefícios esperados, as limitações e os riscos de cada técnica. A decisão final é sempre partilhada com o doente, com base numa informação completa e compreensível.

8. Como é a recuperação?

A recuperação varia com a técnica utilizada. No LASIK, a maioria dos doentes retoma as atividades diárias em 24 a 48 horas. No PRK, a fase inicial de epitelização pode demorar alguns dias, e a estabilização visual completa pode levar algumas semanas. Em ambos os casos, são necessárias consultas de controlo no pós-operatório, com a administração de colírios específicos.

Perguntas frequentes

Todas as pessoas com miopia podem fazer cirurgia?

Não. A candidatura depende de uma avaliação oftalmológica individual.

LASIK e PRK são a mesma coisa?

Não. São técnicas diferentes de cirurgia refrativa e têm indicações e períodos de recuperação distintos.

Quanto tempo demora a recuperação?

A recuperação depende da técnica utilizada e das características individuais de cada doente.

A cirurgia da miopia elimina a necessidade de óculos?

O objetivo pode ser reduzir a dependência de correção óptica, mas o resultado varia de pessoa para pessoa e não pode ser garantido.

A avaliação antes da cirurgia é importante?

Sim. A avaliação pré-operatória permite analisar as características do olho, confirmar a elegibilidade e discutir as opções disponíveis.

A cirurgia refrativa é adequada para todos os graus de miopia?

Não existe uma técnica única adequada a todos os graus de miopia. A opção depende do grau, das características do olho e da avaliação clínica individual.

Existem limitações e possíveis riscos associados?

Como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia refrativa tem riscos, que devem ser conhecidos e discutidos antes da decisão cirúrgica.

A avaliação pré-operatória rigorosa e a seleção criteriosa dos candidatos são fundamentais para minimizar os riscos associados.